segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

#NÃOQUEREMOSSERFAVELADOS


#NãoQueremosSerFavelados
Por: Leonardo Zulluh




    No meio de tantos acontecimentos nessa última semana um dos eventos mais dramáticos passou quase despercebido. Digo quase porque alguns indignados, pouquíssimos por sinal, se comprometeram a compartilhar e reclamar dos acontecimentos tristes do último dia 29/11/15 onde cinco jovens foram mortos desarmados com mais de 100 disparos, na entrada da comunidade onde moravam. O que Roberto de Souza, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva Souza, 16, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Wesley Castro, 20, e Wilton Esteves Domingos Junior, 20, faziam lá? Estavam comemorando o primeiro salário de um deles. O primeiro salário de um novo emprego, vagabundo não era. Carlos Eduardo tinha acabado de concluir um curso de Petróleo e Gás e se preparava para tentar concurso para a Marinha. Um deles havia acabado de prestar serviço para o exército e estava trabalhando com seus dois irmãos numa oficina, vagabundo? Acho que não. Para algumas pessoas, inclusive para a madrasta de um dos jovens, a polícia se enganou. Não cabe aqui analisar e criticar a já reconhecida atuação vexaminosa da polícia, eles se encarregam disso com uma facilidade extrema. 100 tiros por engano? Nem numa barata damos 20 chineladas por engano.

    Mas por que com tanta informação sobre o assunto, a revelada crueldade da polícia e o sofrimento dos parentes das vítimas gera menos comoção do que uma ofensa racista à Thais Araújo? Porque nos solidarizamos tanto com uma ofensa dirigida à Cris Vianna, Sheron Menezes, Pelé, opa esse nunca sofreu racismo, e Majú a ponto de gerarem hashtags e campanhas acaloradas pelo fim do preconceito racial internet adentro? Qual a diferença?

    Vou contar uma coisa, eu cresci num morro. Passei grande parte da minha infância correndo em vielas esburacadas entre casas sem acabamento. Em uma boa parte da minha adolescência senti certa vergonha em dizer onde cresci. Estudar em colégios particulares e de classe média gerava esse desconforto, era como se você fosse mal visto por ter vindo de uma favela. Aquilo definitivamente não era bem aceito dentro daqueles altos muros com crianças em sua maioria branca, ou mestiças que se achavam brancas, entenda como quiser. É realmente desconfortante para alguém dizer que veio de uma favela. Numa sociedade cada vez mais intolerante como a nossa, vergonhoso seria a palavra certa. Cresci estudando, me politizando, me engajando cada vez mais sobre minha origem e já não tenho mais vergonha em dizer que cresci em uma comunidade, mas me deparo com muitas pessoas que não ousam dizer de onde vieram. Não admitem que passaram por maus bocados e que aprenderam com isso, ao contrário, preferiram guardar essa parte da história e esconder cada preconceito sofrido.


    Porque essa volta toda pra tratar do assunto que comecei? Está diante de nossos olhos. Todas essas celebridades representam um ideal, um exemplo a ser seguido. Ricos, glamourosos, bem sucedidos, assediados, tudo que em nossas vidas mundanas não temos, mas gostaríamos de ter. Estar em evidência na TV, cinema ou falando pra milhões de pessoas é bem mais legal que estar num carro velho fazendo um lanche num “podrão” da esquina. Quantos Carlos, Wesleys, Renatos, Wiltons e Cleitons são mortos e sofrem preconceito por sua raça/cor por dia? Cadê a comoção com Claudia Silva, assassinada pela PM e arrastada pela viatura da polícia?

    Apesar da grande repercussão que ofensas raciais a celebridades é capaz de gerar e trazer á tona discussões sobre o tema, isso ainda é desproporcional demais comparado a tudo que acontece ao redor. Thaís Araújo e Majú são mais importantes que outros casos noticiados no dia a dia? Se olharmos pelo prisma do que “queremos ser”, do que “não queremos ser” e do “que se é”, quem cai no esquecimento? 

    Ninguém quer ser favelado! Por mais que digam o contrário, ninguém. Favelado, diga-se morador de comunidade, trás uma bagagem de negatividade histórica imensa. Morar na favela é ruim porque na favela existem traficantes, bandidos, sequestradores e prostitutas. Sabemos que não é verdade, mas vivemos numa sociedade que generaliza tudo, e pra pior. O menininho do bairro de classe média cresce sabendo que aquele morro com amontoados de casas feias é um lugar ruim. As pessoas de terra firme acreditam piamente que tudo de ruim que acontece com elas aqui vem de um lugar como a “favela”. Está encravado fundo que nem tatuagem. No fundo “favelado” só é legal na novela de horário nobre com todo o glamour das cores da TV ou quando vão a bailes funks e sambas frequentados por artistas, mas na realidade, aqui embaixo não é bem assim.


Isso reflete diretamente na comoção. É muito mais fácil se sensibilizar por alguém famoso do que por alguém desconhecido, que na cabeça de muitos pode vir a ser um bandido, porque não? Quando o menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, foi assassinado na porta de casa no Complexo do Alemão li um comentário num grande portal que dizia o seguinte: “Quem garante que esse garoto não iria virar bandido já que ele mora numa favela?” O pensamento é esse. Num País onde 41.127 negros foram mortos só em 2012 contra 14.928 brancos, numa “crescente seletividade social” (segundo o Mapa da Violência- http://bit.ly/1lUAF6M), a quantidade de pessoas que ainda hoje dizem que o assassinato dos cinco jovens em Costa Barros não foi um ato racista, por incrível que pareça, é enorme.

E é nessa sociedade que estão os “#SomosTodosAlguém” da vez, esperando algum famoso sofrer nas mãos de racistas. “#SomosTodosJovensNegrosAssassinados”, alguém? Acho que não.
Vida que segue. Z



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Orgasmo





7:00hs da manhã, o dia estava apenas começando. Na cama, deitado de olhos fechados me lembrava da noite anterior, e que noite. Ainda descansava sem vontade de levantar e ir trabalhar, sentia seu corpo ao meu lado ainda quente com sua mão em minha em minha orelha fazendo cafuné. Poderia ficar o dia inteiro assim, sentindo o seu carinho. Você se mexe e muda de posição, pra minha tristeza, penso que você se levantará sem ao menos dizer bom dia. Me provando o contrário você apenas passa mão em meu peito como se medisse cada centímetro do meu corpo, como um cego tateando um objeto pra saber seu valor seus carinhos aumentam e já não passeiam tão suaves, sua língua molhada faz uma turnê por meu peito e desce, me arrepio e entro no clima, com o tesão matinal é bem melhor, evito abrir os olhos e da minha boca só saem murmúrios, minha respiração aumenta e te acompanho no prazer. Meus dedos embolados com seus cabelos puxam com força, você geme e sem uma palavra pede mais, sou envolvido com sua boca quente devagar e dessa vez quem geme sou eu, não quero que pare, suas unhas agarram meu peito e apertam forte, deveria sentir dor? Não. Envolvo sua mão e aperto mais forte ainda, quero gritar, mas não o faço, seus movimentos aumentam e sua voracidade é como um bezerro com fome, leves mordidas só intensificam o prazer, me agarro forte a você e me contraio todo. Está vindo, cada vez mais forte eu sinto, você para, simplesmente para sem avisar, a sensação é de agonia, eu gosto do jogo e te jogo pro lado te virando de costas, agarro sua nuca com a boca, leões fazem isso, você se empina e clama por mais, minha boca não para e desço suas costas até o cóccix sentindo todo o gosto do seu suor. Mordo sua nádega como se fosse um pedaço suculento de carne, você ri e rebola calmamente com minha boca ainda nela, já falei que sua bunda é linda? Nada agressiva, nem grande é. O desenho é delicado, quase tímido, pele como uma seda e curvas que parecem feitas por um bom arquiteto, a simetria é perfeita. Fico ali tempo o suficiente de você se virar pra mim, enquanto continuo com a cara fincada em seu corpo, mordo a parte interna de sua coxa como um vampiro faminto em busca de um bom fluxo de sangue e sinto sua mão em minha cabeça me puxando na direção certa. Me farto com seu gosto e exploro cada curva e saliências dessa parte mais que desejada, perco as contas de quantas voltas eu dei, de cada chupada e mordida em seu sexo, esqueço que eu preciso respirar pra continuar, mas me deixo levar e sigo em frente com meus dedos em sua boca molhada me desejando, aperto seu seio com força para dar mais prazer e você me acompanha. Sinto seu corpo estremecer, sua respiração mais ofegante e percebo que se continuar verá estrelas, entro no seu jogo e paro, te dou um beijo, sou mordido, seu olhar invade minha alma sem pedir licença, te encaro e mordo sua boca também enquanto me meto no meio de você sem pestanejar, você urra e me agarra com toda sua força, sinto suas unhas tirando lascas de mim, não ligo. Suas pernas me envolvem, naquele momento o tempo para, não há mais barulho de carros pela janela, nem sirenes, nem buzinas, só nossa respiração e gemidos sincronizados como num coral de igreja, aquele momento era só nosso, Paz, clamor, turbilhão de sensações difíceis de explicar. Sexo? Estávamos muito além disso. Era algo transcendental, energia pura de iluminar uma cidade inteira.  Algo que não gostaríamos de parar. Era lindo, te enxergava por dentro, te sentia, éramos um só. Um só corpo com o mesmo objetivo. O ar condicionado já não dava vazão, a cama estava pegando fogo e só estávamos começando. As pessoas esqueceram como isso é bom, Amor, pensava eu enquanto mordia seu pescoço, seus braços me envolviam e me apertavam pra mais junto do corpo, era tenro, delicado e ao mesmo tempo agressivo. Sexo fácil qualquer um tem, mas o que estamos fazendo? Isso era privilégio de poucos. Nossa conexão era tanto que já não sabia onde eu terminava e onde você começava. Te dou um beijo quente, daqueles de tirar o fôlego e sou retribuído, ficamos ali horas, sabe-se lá quanto tempo. Tudo lá fora estava desmoronando e nós nos amando, seria essa a palavra certa? Não importa. 
 
Nossos corpos estremecem e olho pra você na espera de um sinal, você sorri, nem uma palavra foi dita nesse tempo todo, estávamos em sintonia, gestos e gemidos eram o suficiente. Não nos xingamos, não te chamei de cachorra e nem fui chamado de canalha, tapa na cara? Não precisava, nossa transa tinha a delicadeza de uma avalanche. Uma mordida no meu pescoço me avisa do que estar por vir. Me seguro e espero. Controle era impossível naquele momento, mas eis que chega, nós dois juntos, Amor. Nos contorcemos como cobras no cio sem nos desgrudar. Vejo suas lágrimas escorrerem pelo seu rosto e você não me solta, parece se agarrar em mim tendo convulsões deliciosas, meu corpo levava choque cada vez que passava a mão em mim, tesão. Ficamos lá ainda um bom tempo, nos olhando e beijando, seu sorriso era a maior recompensa, não olho a hora, apenas pego o telefone e dou uma desculpa qualquer, não tínhamos fome nem sede, estávamos saciados. Esse dia, Querida, não vamos trabalhar, ficaremos aqui abraçados nus como se fosse o último dia de nossas vidas. Naquele dia nós nos amamos e se o mundo fosse terminar, morreríamos felizes... 

Leonardo Zulluh

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ReContando 2

Roberta e Rômulo

       Roberta sabia bem o que queria, gostava era de mordomia. Era casada com Rômulo, professor de Educação Física em um colégio estadual. Rômulo era o tipo, segundo os vizinhos, um Apolo Negro, alto, bonito e com uma imponência de fazer frente a jogador de basquete. Além de tudo era simpático, o famoso “boa praça”, que falava bom dia até pra cachorro. Foi um casamento perfeito, o bairro inteiro compareceu, teve até fogos de artifícios.   O cara nunca foi rico, mas também não era duro. Fazia Educação Física por amor, e era assim que sustentava a casa, dada pelos pais dele. Roberta trabalhava numa joalheria no Shopping, seus olhos brilhavam vendo tudo aquilo todos os dias, diziam que sempre foi deslumbrada com o dinheiro. Apesar do salário, que não era muito, fazia questão de torrar tudo em roupas e acessórios chiques, pra desespero do marido. Todos aqueles brilhos e roupas de madame, era isso que ela queria ser: Ma-da-me, chamavam atenção demais no bairro que moravam. Pra um bairro de subúrbio de classe média baixa, isso era muito. Se iam a uma pizzaria, estava lá ela com aqueles balangandãs todos fazendo barulho, se iam ao culto da igreja, ela parecia que ia a um casamento. Eram discussões homéricas por causa disso, de parar o bairro, todos ouviam os xingamentos dela para Rômulo, esse sim um poço de educação. Estava com a razão, mas nunca levantava a voz. Aturava quieto as ofensas de Roberta, barraqueira dos infernos, dizendo que ele não queria crescer, progredir, não queria sair daquele bairro ruim. Nem trocar de carro queria, dizia ela. Bem que o sogro avisou... Dizia que ele tinha pensamento pequeno, que não dava pra fazer nada com aqueles salários que ele recebia. Rômulo nem tinha tanta ambição, dava aula em três colégios diferentes, ganhava muito bem até, mas não para os delírios de consumo da esposa. Também era fisioterapeuta e dava consultas particulares de massagem. A disputa era grande, todas as dondocas queriam ser massageadas pelo Negão. Roberta não ligava muito pra isso, apesar da procura de Rômulo na cama, ela sempre se esquivava dizendo que estava cansada e tinha dores de cabeça frequentemente. A maior frustração de Rômulo sempre foi a ausência de demonstração de ciúmes, na verdade, ele nem sabia se ela sentia isso por ele. Casou-se apaixonado, mas logo percebeu a furada em que se meteu. Ainda nutria grande respeito e carinho por Roberta, mas sempre que dava pulava a cerca mesmo, sempre se envolvia com alguma cliente. Jacqueline não dava a mínima, estava mais preocupada nas grandes festas organizadas pela dona da joalheria, onde ela fazia questão de desfilar suas roupas de ma-da-me. Loucura só essas festas, gente elegante com grana, a nata da nata da sociedade e Rômulo ficava ali, que nem um dois de paus, parado, sem ser apresentado a ninguém pela má educada da esposa. Nem precisava, as outras madames faziam questão de vir falar com ele, puxavam assunto a toda hora e o paparicavam o tempo inteiro, afinal, não era em toda festa que aparecia um homem com cara de homem. Mas ele não gostava disso, ficar parado ali, enquanto Jacqueline desfilava pela pista se engraçando com os grandes empresários convidados não era pra ele, não era digno pra um homem passar por aquela humilhação. Sempre tinha bate boca, o salão pegava fogo. A jararaca fazia questão de falar bem alto que ele não pertencia aquele lugar, que ele era pé-rapado. Numa dessas ele não agüentou, pegou o carro e foi embora. Ligou pros amigos e em poucos minutos estava num concorrido pagode do bairro do lado, que freqüentava sempre que podia. Era animado, muita gente, muita mulher dando sopa, mas Rômulo naquela noite só teve olhos pra uma. Encontrou uma velha conhecida, mãe de dois de seus alunos. Disse ele para o amigo que ela era a encarnação de uma deusa, ficou encantado com a sensualidade da mulata. Sempre que podia fazia uns elogios a ela e a convidava pra sair, sem sucesso. E agora ela estava ali, na sua frente, linda de morrer. Ficou ali parado, admirando enquanto outros mais afoitos tentavam a todo custo ter uma dança com ela. Ele já saturado com a cena, pegou ela com jeito e quando ela se deu conta já estava sambando nos braços dele pra lá e pra cá. Falou pra Zuleide, esse era o nome dela, que ela era a melhor coisa que naquela noite.  E ela lhe disse que aquilo era loucura, que ela não conseguia se controlar quando estava perto dele. Apenas dançaram, mas a noite foi maravilhosa. Dormiu no sofá pra que Roberta não o “azucrinasse as idéias.” Na manhã seguinte foi acordado por um beijo, a mulher estava mais mansa, deve ter sido o susto. Os dias se passaram e a cabeça de Rômulo estava em outro lugar, Zuleide, esse nome se repetia em sua cabeça no ritmo da música que estava tocando naquela noite. E se encontravam sempre que podiam, atrás da escola que ele lecionava e no motel. Estava feliz da vida, queria se separar e tudo. Apesar de Zuleide já ter 4 filhos, ele não estava nem aí, ele sempre quis ser pai, mas Roberta não queria “estragar o corpo”. Num desses infortúnios da vida, Rômulo deu de cara com o marido de Zuleide. Foi assassinado, três tiros, o corno resolveu fazer justiça.  A desgraça estava posta. Nenhuma lágrima escorreu dos olhos de Roberta, na mesma noite foi encontrar um playboy ao qual ela já andava tendo um caso, o boa vida a enchia de jóias “caras” do jeito que ela gostava. No dia seguinte já havia vendido a casa e tudo mais pra morar com o cara. Se enganou feio,  era um falsário que roubou tudo dela deixando ela com uma mão na frente outra atrás, até o emprego ela já não tinha mais. Tomou uns tapas na cara, uns socos no estômago e foi jogada pra fora do carro só com o vestidinho no corpo. Um carro que vinha atrás ofereceu carona e uma proposta: um programa. Recusou na hora, mais depois que viu o maço de dinheiro mudou rapidinho de idéia. Tornou-se uma constante, descobriu pro que nasceu: ganhar dinheiro e ser madame, não importa como. E nunca mais se ouviu falar em Roberta. Dizem que abriu um novo negócio lá em Copacabana que anda fazendo maior sucesso, chamam de Cabaret da Madame Roberta, As Mulheres Mais Lindas da Cidade. Alto Nível...
Leonardo Zulluh

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ReContando...

O conto a seguir faz parte do livro de contos a ser lançado em 2012 chamado:

ADMIRAVEL MUNDO CÃO


Zuleide

Do tipo que parava qualquer canteiro de obras, Zuleide era uma mulata cor do pecado, coxas roliças, seios pequenos e uma bela bunda empinada. Já havia passado dos 30 com bastantes traços de vivência no rosto. A barriguinha saliente já denunciava maternidade. Trabalhava o dia inteiro como faxineira de madame enquanto seus 4 filhos ficavam com a avó. À noite, além de cuidar das crianças, tinha ainda que botar comida pra João, marido exigente, que só permitia que ela levantasse da mesa depois que ele acabasse, mesmo que ela já estivesse jantado. Comentava com as amigas que já não sentia tesão por ele, que ele só exigia, falava asneira, virava pro lado e dormia. Outros diziam que ele andava se engraçando pra caixa do mercado onde era segurança, a chamavam de Aninha “sem-pescoço”, um cotoco de gente que parecia um “bujãozinho de gás”. Pobre João, as cabeças se viravam pra ver Zuleide passar, pescoços quase se quebravam pra admirar Zuleide e ele nem aí. Era a eterna apaixonada, sua imponência física contrastava com sua carência afetiva, que não era pouco, adorava ser paparicada e acariciada, um dengo só. João ao sair do trabalho passava horas na rua debaixo disputando purrinha com a turma do buteco, sempre perdia umas cervejas pros cospe grosso. Quando chegava a casa Zuleide já estava toda cheirosa, arrumada e com a comida à mesa. Enquanto João acabava de jantar e ia pra frente da T.V., sem ao menos botar o prato na pia. Zuleide nunca foi santa, mas era mulher dedicada. Respeitava tanto João e os filhos que quando caiu nas graças do padeiro do bairro, que sempre lhe enchia de elogios e dava uns pãezinhos pra ela levar, chorou um mês sem parar. Era só sexo, necessidade mesmo, mas o padeiro era ruim de doer na cama, na 2ª vez se arrependeu e parou com tudo. Numa sexta-feira foi tentada pelas amigas a sair pra se divertir, aproveitou que o marido sempre fazia pescaria com os amigos e ficava uns 2 dias fora de casa, foi pro pagode do bairro próximo. Zuleide tirava o fôlego, mesmo com um vestidinho comportado, os contornos do corpo ficavam a mostra e exalava tesão. Não era a mais linda, mas tinha um sorriso cativante. Não tinha quem não queria sambar com ela. Acabou se encantando por Rômulo, professor da escola dos filhos que sempre lhe despejava elogios e a convidava pra sair. Trocaram olhares e dançaram juntos, com palavras e risadas ao pé do ouvido. Na segunda seguinte estavam os dois aos beijos na praça atrás do colégio onde seus filhos estudavam, ela não tinha trabalho e ele já havia dado aula. Zuleide se sentia realizada, Rômulo era o cara certo que apareceu na hora errada. Tratava ela como uma rainha, enchia de carinhos e beijos, tinha pegada forte, a fazia tremer como bambu verde, Zuleide se sentia uma mulher de verdade. Passavam as tardes de folga num motel e assim foi durante um mês. João desconfiou. Zuleide já não o aguardava mais cheirosa e arrumada e nem implorava por sexo todas as noites. Cismado resolveu investigar o que estava acontecendo e através de um x-9 de plantão que se dizia seu amigo, mas sempre que podia cantava Zuleide, contou o que se passava. No dia seguinte foi à praça atrás do colégio e pegou os dois já saindo pra ir ao motel, não pestanejou e deu três tiros no peito do amante: “na minha mulher ninguém mete a mão!” disse ele com pulmão cheio, puxou Zuleide pelo braço e arrastou pra casa. Chorando, perguntou por que ela fez isso e chorou mais ainda quando a mesma disse a verdade. Arrependido, João disse que ela era a mulher da vida dele e prometeu dar mais valor a ela, ser um homem de “verdade” e deu um longo beijo nela, suspirou até.
E lá estavam os dois jantando de novo, ela toda cheirosa e arrumada e ele a olhando nos olhos. Não foi pra frente da T.V. dessa vez, foi tomar banho enquanto Zuleide a aguardava na cama com um sorriso de orelha a orelha, já estava até sem roupa. João deita ao seu lado, lhe dá um longo beijo, na testa, vira pro lado e dorme. Na manhã seguinte João, roxo de doer, já não respirava mais. E Zuleide com um estranho sorriso nos lábios... Leonardo Zulluh Almeida

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Rio Loves You!!!


"Respeito é bom, nós gostamos de dar e principalmente de receber, esta é a recompensa pelo nosso esforço... para os outros seria apenas mais uma olimpíadas, nós viemos com alma e com amor para vencer e vencemos!" Presidente Luis Inácio Lula da Silva

O Mundo conheceu hoje, exatamente às 13:51hs, o vencedor da campanha para as Olimpíadas de 2016. Deu Rio de Janeiro na cabeça, com 66% de votos contra 32% de Madri, Tokyo nem se fala. O povo brasileiro, que adora uma boa festa, segue comemorando com muita disposição a escolha do Comitê Olímpico Internacional. A praia de Copacabana está lotada de pe
ssoas que forama lá pra torcer e se divertir. O País parou para acompanhar toda cerimônia. Depois de um discurso emocionado, e cheio de lágrimas, do nosso Presidente Lula e mais ainda do Governador do Rio Sérgio Cabral, a angustia só aumentava, o suspense era grande.

Acredito que até as pessoas que não queriam ver por não acreditar na vitória do Rio, mas que lá no fundo ainda tinham uma esperança como eu, vidrou os olhos na tela para gritar junto e pular de alegria na hora da escolha. Pular de alegria foi a ordem do dia,Sérgio Cabral pulou como criança em cima do Lula. Toda a comissão estava lá aos pulos e gritos, assim como aqui. Lula ressaltou para a imprensa que o esforço foi grande, nossa campanha tinha alma. O povo do Rio é muito generoso e os de fora não devem se basear apenas pelo que sai nos jornais, concordo, só discordo numa coisa,não só os cariocas mas também todos os brasileiros são generosos e acolhedores, os brasileiros quando querem são tudo isso e mais um pouco, pena que as vezes esquecemos disso. Toda essa manifestação em torno das Olimpíadas, vem apenas ressaltar algo que já deveria fazer parte do inconsiente coletivo brasileiro:Só funcionamos quendo nos unimos!! Já deveríamos saber ou lembrar a muito tempo que uma nação se faz com seu povo e não com seus líderes! Com certeza terá oposição dizendo mil coisas contra a escolha, que no Rio só vai ter assalto, que isso é uma zona, carioca só faz merda, que o governo só quer lucrar com isso etc etc etc etc DEvemos lembrar que não depende de nossos governantes fazer isso ser bom ou não, depende de nós fazermos essa Olimpíadas ser inesquecível, quem ganha somos nós, o povo e pronto, basta querer. Temos 6 anos para tomar uma decisão, ou somos um povo que estraga tudo ou somos um povo que quer ver o Brasil no topo. Chega de lamentar pelas besteiras de nossos governantes e vamos partir pra luta e mostrar ao mundo que a escolha por nosso País foi justa e acertada. Depois de tudo que passamos, realmente merecemos e mais e mais sempre. Vai ficar aí na defesa ou vai pertir pro ataque e fazer um gol? Sejam bem vindo os turistas, mas mais ainda nós Brasileiros! Acorda Brasiiiiiillllllll!!!!! Z!