quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ReContando 2

Roberta e Rômulo

       Roberta sabia bem o que queria, gostava era de mordomia. Era casada com Rômulo, professor de Educação Física em um colégio estadual. Rômulo era o tipo, segundo os vizinhos, um Apolo Negro, alto, bonito e com uma imponência de fazer frente a jogador de basquete. Além de tudo era simpático, o famoso “boa praça”, que falava bom dia até pra cachorro. Foi um casamento perfeito, o bairro inteiro compareceu, teve até fogos de artifícios.   O cara nunca foi rico, mas também não era duro. Fazia Educação Física por amor, e era assim que sustentava a casa, dada pelos pais dele. Roberta trabalhava numa joalheria no Shopping, seus olhos brilhavam vendo tudo aquilo todos os dias, diziam que sempre foi deslumbrada com o dinheiro. Apesar do salário, que não era muito, fazia questão de torrar tudo em roupas e acessórios chiques, pra desespero do marido. Todos aqueles brilhos e roupas de madame, era isso que ela queria ser: Ma-da-me, chamavam atenção demais no bairro que moravam. Pra um bairro de subúrbio de classe média baixa, isso era muito. Se iam a uma pizzaria, estava lá ela com aqueles balangandãs todos fazendo barulho, se iam ao culto da igreja, ela parecia que ia a um casamento. Eram discussões homéricas por causa disso, de parar o bairro, todos ouviam os xingamentos dela para Rômulo, esse sim um poço de educação. Estava com a razão, mas nunca levantava a voz. Aturava quieto as ofensas de Roberta, barraqueira dos infernos, dizendo que ele não queria crescer, progredir, não queria sair daquele bairro ruim. Nem trocar de carro queria, dizia ela. Bem que o sogro avisou... Dizia que ele tinha pensamento pequeno, que não dava pra fazer nada com aqueles salários que ele recebia. Rômulo nem tinha tanta ambição, dava aula em três colégios diferentes, ganhava muito bem até, mas não para os delírios de consumo da esposa. Também era fisioterapeuta e dava consultas particulares de massagem. A disputa era grande, todas as dondocas queriam ser massageadas pelo Negão. Roberta não ligava muito pra isso, apesar da procura de Rômulo na cama, ela sempre se esquivava dizendo que estava cansada e tinha dores de cabeça frequentemente. A maior frustração de Rômulo sempre foi a ausência de demonstração de ciúmes, na verdade, ele nem sabia se ela sentia isso por ele. Casou-se apaixonado, mas logo percebeu a furada em que se meteu. Ainda nutria grande respeito e carinho por Roberta, mas sempre que dava pulava a cerca mesmo, sempre se envolvia com alguma cliente. Jacqueline não dava a mínima, estava mais preocupada nas grandes festas organizadas pela dona da joalheria, onde ela fazia questão de desfilar suas roupas de ma-da-me. Loucura só essas festas, gente elegante com grana, a nata da nata da sociedade e Rômulo ficava ali, que nem um dois de paus, parado, sem ser apresentado a ninguém pela má educada da esposa. Nem precisava, as outras madames faziam questão de vir falar com ele, puxavam assunto a toda hora e o paparicavam o tempo inteiro, afinal, não era em toda festa que aparecia um homem com cara de homem. Mas ele não gostava disso, ficar parado ali, enquanto Jacqueline desfilava pela pista se engraçando com os grandes empresários convidados não era pra ele, não era digno pra um homem passar por aquela humilhação. Sempre tinha bate boca, o salão pegava fogo. A jararaca fazia questão de falar bem alto que ele não pertencia aquele lugar, que ele era pé-rapado. Numa dessas ele não agüentou, pegou o carro e foi embora. Ligou pros amigos e em poucos minutos estava num concorrido pagode do bairro do lado, que freqüentava sempre que podia. Era animado, muita gente, muita mulher dando sopa, mas Rômulo naquela noite só teve olhos pra uma. Encontrou uma velha conhecida, mãe de dois de seus alunos. Disse ele para o amigo que ela era a encarnação de uma deusa, ficou encantado com a sensualidade da mulata. Sempre que podia fazia uns elogios a ela e a convidava pra sair, sem sucesso. E agora ela estava ali, na sua frente, linda de morrer. Ficou ali parado, admirando enquanto outros mais afoitos tentavam a todo custo ter uma dança com ela. Ele já saturado com a cena, pegou ela com jeito e quando ela se deu conta já estava sambando nos braços dele pra lá e pra cá. Falou pra Zuleide, esse era o nome dela, que ela era a melhor coisa que naquela noite.  E ela lhe disse que aquilo era loucura, que ela não conseguia se controlar quando estava perto dele. Apenas dançaram, mas a noite foi maravilhosa. Dormiu no sofá pra que Roberta não o “azucrinasse as idéias.” Na manhã seguinte foi acordado por um beijo, a mulher estava mais mansa, deve ter sido o susto. Os dias se passaram e a cabeça de Rômulo estava em outro lugar, Zuleide, esse nome se repetia em sua cabeça no ritmo da música que estava tocando naquela noite. E se encontravam sempre que podiam, atrás da escola que ele lecionava e no motel. Estava feliz da vida, queria se separar e tudo. Apesar de Zuleide já ter 4 filhos, ele não estava nem aí, ele sempre quis ser pai, mas Roberta não queria “estragar o corpo”. Num desses infortúnios da vida, Rômulo deu de cara com o marido de Zuleide. Foi assassinado, três tiros, o corno resolveu fazer justiça.  A desgraça estava posta. Nenhuma lágrima escorreu dos olhos de Roberta, na mesma noite foi encontrar um playboy ao qual ela já andava tendo um caso, o boa vida a enchia de jóias “caras” do jeito que ela gostava. No dia seguinte já havia vendido a casa e tudo mais pra morar com o cara. Se enganou feio,  era um falsário que roubou tudo dela deixando ela com uma mão na frente outra atrás, até o emprego ela já não tinha mais. Tomou uns tapas na cara, uns socos no estômago e foi jogada pra fora do carro só com o vestidinho no corpo. Um carro que vinha atrás ofereceu carona e uma proposta: um programa. Recusou na hora, mais depois que viu o maço de dinheiro mudou rapidinho de idéia. Tornou-se uma constante, descobriu pro que nasceu: ganhar dinheiro e ser madame, não importa como. E nunca mais se ouviu falar em Roberta. Dizem que abriu um novo negócio lá em Copacabana que anda fazendo maior sucesso, chamam de Cabaret da Madame Roberta, As Mulheres Mais Lindas da Cidade. Alto Nível...
Leonardo Zulluh

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ReContando...

O conto a seguir faz parte do livro de contos a ser lançado em 2012 chamado:

ADMIRAVEL MUNDO CÃO


Zuleide

Do tipo que parava qualquer canteiro de obras, Zuleide era uma mulata cor do pecado, coxas roliças, seios pequenos e uma bela bunda empinada. Já havia passado dos 30 com bastantes traços de vivência no rosto. A barriguinha saliente já denunciava maternidade. Trabalhava o dia inteiro como faxineira de madame enquanto seus 4 filhos ficavam com a avó. À noite, além de cuidar das crianças, tinha ainda que botar comida pra João, marido exigente, que só permitia que ela levantasse da mesa depois que ele acabasse, mesmo que ela já estivesse jantado. Comentava com as amigas que já não sentia tesão por ele, que ele só exigia, falava asneira, virava pro lado e dormia. Outros diziam que ele andava se engraçando pra caixa do mercado onde era segurança, a chamavam de Aninha “sem-pescoço”, um cotoco de gente que parecia um “bujãozinho de gás”. Pobre João, as cabeças se viravam pra ver Zuleide passar, pescoços quase se quebravam pra admirar Zuleide e ele nem aí. Era a eterna apaixonada, sua imponência física contrastava com sua carência afetiva, que não era pouco, adorava ser paparicada e acariciada, um dengo só. João ao sair do trabalho passava horas na rua debaixo disputando purrinha com a turma do buteco, sempre perdia umas cervejas pros cospe grosso. Quando chegava a casa Zuleide já estava toda cheirosa, arrumada e com a comida à mesa. Enquanto João acabava de jantar e ia pra frente da T.V., sem ao menos botar o prato na pia. Zuleide nunca foi santa, mas era mulher dedicada. Respeitava tanto João e os filhos que quando caiu nas graças do padeiro do bairro, que sempre lhe enchia de elogios e dava uns pãezinhos pra ela levar, chorou um mês sem parar. Era só sexo, necessidade mesmo, mas o padeiro era ruim de doer na cama, na 2ª vez se arrependeu e parou com tudo. Numa sexta-feira foi tentada pelas amigas a sair pra se divertir, aproveitou que o marido sempre fazia pescaria com os amigos e ficava uns 2 dias fora de casa, foi pro pagode do bairro próximo. Zuleide tirava o fôlego, mesmo com um vestidinho comportado, os contornos do corpo ficavam a mostra e exalava tesão. Não era a mais linda, mas tinha um sorriso cativante. Não tinha quem não queria sambar com ela. Acabou se encantando por Rômulo, professor da escola dos filhos que sempre lhe despejava elogios e a convidava pra sair. Trocaram olhares e dançaram juntos, com palavras e risadas ao pé do ouvido. Na segunda seguinte estavam os dois aos beijos na praça atrás do colégio onde seus filhos estudavam, ela não tinha trabalho e ele já havia dado aula. Zuleide se sentia realizada, Rômulo era o cara certo que apareceu na hora errada. Tratava ela como uma rainha, enchia de carinhos e beijos, tinha pegada forte, a fazia tremer como bambu verde, Zuleide se sentia uma mulher de verdade. Passavam as tardes de folga num motel e assim foi durante um mês. João desconfiou. Zuleide já não o aguardava mais cheirosa e arrumada e nem implorava por sexo todas as noites. Cismado resolveu investigar o que estava acontecendo e através de um x-9 de plantão que se dizia seu amigo, mas sempre que podia cantava Zuleide, contou o que se passava. No dia seguinte foi à praça atrás do colégio e pegou os dois já saindo pra ir ao motel, não pestanejou e deu três tiros no peito do amante: “na minha mulher ninguém mete a mão!” disse ele com pulmão cheio, puxou Zuleide pelo braço e arrastou pra casa. Chorando, perguntou por que ela fez isso e chorou mais ainda quando a mesma disse a verdade. Arrependido, João disse que ela era a mulher da vida dele e prometeu dar mais valor a ela, ser um homem de “verdade” e deu um longo beijo nela, suspirou até.
E lá estavam os dois jantando de novo, ela toda cheirosa e arrumada e ele a olhando nos olhos. Não foi pra frente da T.V. dessa vez, foi tomar banho enquanto Zuleide a aguardava na cama com um sorriso de orelha a orelha, já estava até sem roupa. João deita ao seu lado, lhe dá um longo beijo, na testa, vira pro lado e dorme. Na manhã seguinte João, roxo de doer, já não respirava mais. E Zuleide com um estranho sorriso nos lábios... Leonardo Zulluh Almeida

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Rio Loves You!!!


"Respeito é bom, nós gostamos de dar e principalmente de receber, esta é a recompensa pelo nosso esforço... para os outros seria apenas mais uma olimpíadas, nós viemos com alma e com amor para vencer e vencemos!" Presidente Luis Inácio Lula da Silva

O Mundo conheceu hoje, exatamente às 13:51hs, o vencedor da campanha para as Olimpíadas de 2016. Deu Rio de Janeiro na cabeça, com 66% de votos contra 32% de Madri, Tokyo nem se fala. O povo brasileiro, que adora uma boa festa, segue comemorando com muita disposição a escolha do Comitê Olímpico Internacional. A praia de Copacabana está lotada de pe
ssoas que forama lá pra torcer e se divertir. O País parou para acompanhar toda cerimônia. Depois de um discurso emocionado, e cheio de lágrimas, do nosso Presidente Lula e mais ainda do Governador do Rio Sérgio Cabral, a angustia só aumentava, o suspense era grande.

Acredito que até as pessoas que não queriam ver por não acreditar na vitória do Rio, mas que lá no fundo ainda tinham uma esperança como eu, vidrou os olhos na tela para gritar junto e pular de alegria na hora da escolha. Pular de alegria foi a ordem do dia,Sérgio Cabral pulou como criança em cima do Lula. Toda a comissão estava lá aos pulos e gritos, assim como aqui. Lula ressaltou para a imprensa que o esforço foi grande, nossa campanha tinha alma. O povo do Rio é muito generoso e os de fora não devem se basear apenas pelo que sai nos jornais, concordo, só discordo numa coisa,não só os cariocas mas também todos os brasileiros são generosos e acolhedores, os brasileiros quando querem são tudo isso e mais um pouco, pena que as vezes esquecemos disso. Toda essa manifestação em torno das Olimpíadas, vem apenas ressaltar algo que já deveria fazer parte do inconsiente coletivo brasileiro:Só funcionamos quendo nos unimos!! Já deveríamos saber ou lembrar a muito tempo que uma nação se faz com seu povo e não com seus líderes! Com certeza terá oposição dizendo mil coisas contra a escolha, que no Rio só vai ter assalto, que isso é uma zona, carioca só faz merda, que o governo só quer lucrar com isso etc etc etc etc DEvemos lembrar que não depende de nossos governantes fazer isso ser bom ou não, depende de nós fazermos essa Olimpíadas ser inesquecível, quem ganha somos nós, o povo e pronto, basta querer. Temos 6 anos para tomar uma decisão, ou somos um povo que estraga tudo ou somos um povo que quer ver o Brasil no topo. Chega de lamentar pelas besteiras de nossos governantes e vamos partir pra luta e mostrar ao mundo que a escolha por nosso País foi justa e acertada. Depois de tudo que passamos, realmente merecemos e mais e mais sempre. Vai ficar aí na defesa ou vai pertir pro ataque e fazer um gol? Sejam bem vindo os turistas, mas mais ainda nós Brasileiros! Acorda Brasiiiiiillllllll!!!!! Z!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Operação Cantareira

AGITA CANTAREIRA!!!


Uma noite frustrada...

Ah, enfim quinta-feira! Saio do trabalho com aquela velha disposição de sempre, aquela vontade enorme de me reencontrar com amigos e rever velhos conhecidos. Beber uma boa cerveja, ver muita gente bonita e papear até altas horas com qualquer um que esteja disposto a conversar. Dirijo-me para o ponto de encontro preferido de uma grande parte dos universitários, jovens trabalhadores descolados e curtidores de uma boa diversão de Niterói, a Praça Leoni Ramos em São Domingos, conhecida carinhosamente(ou não) por Cantareira. A praça, um dos maiores pontos de lazer de Niterói, é reconhecida por sua grande movimentação nas noites de quinta-feira abrigando pessoas de todas as raças, ideologias, culturas, opções sexuais e classes sócias. A praça já foi matéria em diversos cadernos de lazer de jornais de grande circulação do Rio de Janeiro, onde se exaltava, principalmente, a diversificação de seus freqüentadores recebendo não só niteroienses como também cariocas, são gonçalenses e outras regiões. Enfim, o caminho para a praça seguia com muita conversa animada entre amigos quando damos de cara com um lugar completamente vazio, o clima chuvoso ajudava a dar um clima mais sombrio a situação. Sem mesas, sem pessoas e sem ambulantes na rua, parecia até uma noite de Domingo. Os garçons sentados a porta estavam com cara de velório, as áreas internas dos bares estavam v-a-z-i-o-s. Não se ouvia nada a não ser o passar dos carros pela mesma rua que uma quinta atrás estava lotada. Perguntei o que tinha acontecido a um dos garçons e ele me disse que a prefeitura tinha ordenado um choque de ordem e recolhido tudo – você não está sabendo? Me perguntou o garçom, - Meu amigo, aqui não divulgam nem as coisas boas, imagina as ruins! respondi indignado. A frustração bateu na hora, saio a procura de um bar pra chorar as mágoas.



Yes, nós também temos choque de ordem...


Na última quinta-feira 17 de setembro, a Prefeitura Municipal de Niterói, através da Secretaria Municipal de Controle Urbano, promoveu uma operação nas ruas no encontro da Praça Leoni Ramos, São Domingos. O objetivo da operação era ordenar o local, onde comerciantes espalhavam mesas e cadeiras irregularmente nas vias do bairro e também recolher material de vendedores ambulantes.

...e com pimenta e cacetetes!

Com intenção de impedir a ação autoritária e arbitrária da Guarda Municipal, mais de 100 estudantes se postaram, pacificamente, em frente ao caminhão da Prefeitura em solidariedade aos vendedores ambulantes e ao invés de uma resposta recíproca, receberam gás de pimenta e cacetetes. A truculência dos guardas e policiais militares foi motivo de revolta, já que se usou força desnecessária contra manifestantes desarmados. Marco Antônio Costa, Cordenador do Diretório Central dos Estudantes da UFF foi levado a delegacia por um suposto desacato a autoridade, nessa hora tudo vale como justificativa para violência, não? Mais de 20 estudantes foram prestar queixas e registrar ocorrência devido à truculência dos policiais e também apoiar o colega. Marco Antônio foi fichado e terá que responder a processo.


Nosso Choque de Ordem é bem melhor do que lá do outro lado da poça!


Seguindo firme na decisão de botar ordem na cidade, a Prefeitura do Rio, ops, de Niterói vem fazendo um incrível trabalho, já acabou com os assaltos à luz do dia, já eliminou a fedentina de urina nas principais ruas do Centro da cidade, já fez os pardais pararem de multar carros parados, completou todas as obras do “lendário” Caminho Niemeyer e já deu fim ao caos no trânsito. O Secretário de Controle Urbano de Niterói Rodrigo Bethlen, quer dizer, Gilberto Almeida, justificou a “Operação Cantareira” como forma de ordenar o espaço a partir da existência de um abaixo assinado de moradores que se queixam da desordem e tumulto dos freqüentadores da praça. Oba, quer dizer que pra acabar com os assaltos à luz do dia precisamos fazer um abaixo assinado, Sr. Secretário? É só o povo assinar que tá tudo resolvido? E o cheiro de xixi na Amaral Peixoto às 18hs, também precisa de abaixo assinado? E para os moradores de rua? Essa foi a melhor justificativa?


Abaixo Assinado?


Vamos recapitular e tentar entender isso aí. Quem faz o tumulto e a desordem, são todos? Com certeza não. E que tipo de tumulto seria esse, xixi nas paredes e calçadas? Banheiros químicos resolvem, não. Som alto? Isso já foi resolvido a muito tempo. Maconha no meio da praça? Quantos anos existe isso? É fato que a Cantareira sempre teve a presença de alguns usuários, alguns, Sr. Secretário. Isso poderia ter sido resolvido? Sim. Infelizmente voltamos a velha mania do estilo “guilhotina” de ser, cortando tudo e não tratando nada. Técnica que funciona muito bem, para quem faz e não para quem sofre.Em tempos modernos em que o Funk é elevado a movimento cultural, ao acabar com a tal desordem e tumulto na praça, Sr. Secretário, damos um passo pra trás na evolução natural das coisas, pois acabaram também com a liberdade de ir e vir de muitos que saem do trabalho e universidades para se divertir e não para criar a tal desordem injustificada já citada.Censura talvez? Tudo poderia ter sido resolvido com um pouco mais de organização e principalmente atenção, afinal, gastou-se rios de dinheiro numa reforma que durou 2 anos, para nada. A praça continuou praticamente a mesma, como pode isso? 2 anos para trocar bancos de lugares? Me poupe. Desse dinheiro sairia fácil, banheiros químicos, limpeza dos mesmos e mais policiamento. O mais engraçado nisso tudo é que lá, na própria Cantareira, está situada agora uma boate, ninguém percebeu isso? Numa hora é patrimônio público tombado e logo depois uma boate para granfinos e endinheirados e particular ainda por cima. A mesma que depois de ser esquecida, como acontece com a maioria das boates da moda, vem se tornando um salão de festas que aceita desde festas de debutantes a casamentos. Mais um salão de festas em Niterói. Não bastava acabar com um dos maiores pólos de cultura da cidade tinha também ter mais salões de festas? Os freqüentadores da praça são formados por pessoas que procuram por boa diversão prezando pelo melhor custo benefício, ou seja, gastando pouco pois nem todos nasceram em berço de ouro.

Operação Cultura Zero


Com o passar dos anos a praça vem se tornando um ponto de resistência e luta cultural, social e sexual. Grupos de Conscientização Homossexual fincaram ali bandeiras de defesa contra preconceitos, o movimento artístico também fez e aconteceu, de lá saíram vários grupos musicais e artísticos pelo Brasil afora. Pra onde vai esse povo agora, Sr. Secretário? Pro Saco de São Francisco, a nata da elite de Niterói, beber cerveja longneck a R$ 5??? Ou São Gonçalo? Fiquei sabendo que as noites lá são muito divertidas. Mas não é esse o caso. A indignação é devido ao fato de saber que existem problemas seríssimos que precisam ser resolvidos pra ontém. Me lembro que meu amigo Igor Carvalho estava fazendo alguns shows pelo “Reggae no Asfalto” lá na praça e no dia seguinte a um desses saiu no O Fluminense que o evento era ruim para o local porque as pessoas eram porcas e faziam suas necessidades na rua sem a menor cerimônia, agora a culpa era do Reggae para um problema que é “normal” na cidade toda. Pena. Com essa atitude o Prefeito, Eduardo Paes, ops, Jorge Roberto Silveira acaba com o maior de jovens votantes e formadores de opinião de Niterói. Onde é que os candidatos vão pedir voto agora? Porque era lá que faziam festinhas animadas com direito a carro de som e tudo o mais para sensibilizar esses jovens importantes, época de eleição lá é assim, não se sabe quem é votante e nem quem tá pedindo voto, pois são muitos. Será que teremos esperança de na próxima eleição a praça estar liberada nós, meros provedores de voto? Porque pedir voto é mole e fazem muito bem. Niterói, a “Grande Província” como é orgulhosamente chamada pelo Prefeito Eduar...ops, Jorge Roberto Silveira, ainda é conhecida como a melhor vista para o Rio de Janeiro e por suas obras incríveis e intermináveis, vide o caminho Niemeyer e a Alameda que, desculpe o trocadilho, dá medo, de tanto congestionamento. Vão terminar as obras também? Porque é uma vergonha aqueles elefantes brancos de frente para a porta de entrada. Niterói é só isso mesmo? Uma província grande? Acho que não é bem assim que queremos ser reconhecidos.

Idéias para uma Cantareira Melhor



Tenho uma idéia brilhante para São Domingos. Despeja-se todos os bares responsáveis por agrupar esses tais desordeiros e tumultuadores e substitui-se por mais alguns restaurantes chiques familiares que insistem em inaugurar a cada fim de semana(Niterói deve ser a capital nacional dos restaurantes), troca-se as casas de cultura por salões de festas chiques e pronto, pra completar pode inaugurar aquela tal torre de 60 metros, que nosso prefeito quer tanto tirar do papel, bem ali na Praça Leoni Ramos. Assim os moradores de lá terão um motivo gigantesco pra se orgulhar ainda mais. Será que com um abaixo assinado eles conseguem também? Z!


Convido a todos os moradores de Niterói ou não, freqüentadores da Cantareira ou não, e pessoas de bem que torcem por uma Niterói e também sua cidade melhor e sem hipocrisia a comentar. Vamos fazer barulho e mobilizar um pouco. É só deixar um comentário com o seu nome e opinião, ok. Um abraço a todos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Voltei

Blog em Reconstrução...
... + uma vez!!!


Aguardem Novidades e Obrigado pela Paciência