Meu reencontro com dEUS-pt.1



Já eram umas 5:30 da manhã, o céu já mudava de azul-marinho para um mais claro, na mão uma “bagana” mal apertada por mim e no chão latas e garrafas de váááárias bebidas. Era 1995/96 não me lembro muito bem (neurônios?) e acho que acabávamos de vir de um show do Sex Noise(em breve falarei deles, com todo carinho do mundo), uma banda de amigos que acompanhávamos ou de algúm outro lugar ou era uma festinha nossa mesmo, sei lá. Bem, naquela época , junto com os hematomas causados com as “dropeadas” de skates e os tênis destruídos pelos mesmos, o cheiro de álcool e fumaça de cigarro, cigarrilhas e afins se faziam presentes, assim como a indiferença latente pelo dia de amanhã que insistia em chegar cada vez mais rápido, afinal éramos jovens, saindo da adolescência e aprendendo enfim a viver. Por que pensar no futuro afinal, se ele só servia para esmagar sonhos sem piedade?

Estávamos no terraço do Almir, um grande amigo que resolveu desaparecer pelos Estados Unidos, com tira-gostos horríveis(o importante era a bebida e o “bagulho”), nossas respectivas gatinhas ao lado e som, muito som, o rock era nossa trilha sonora e estávamos buscando sempre coisas novas e Almir era craque nisso. O dia já amanhecia e Luciano e eu conversávamos e filosofávamos sobre o futuro em cima do muro, agarrados à pilastra e com uma garrafa de Jack Daniel’s e nossos copos no telhado junto aos nossos maços de cigarro, isso tudo a uma altura de uns 6 metros do chão, rsrsr. Entre baforadas no cigarrinho natural e tragadas no “Jack” a música fazia parte do ambiente, entremeando nossas conversas e gargalhadas, com acordes sempre tão distintos, uma em especial me chamou atenção, até porque nunca a tinha ouvido antes, era uma música envolvente e calma, de uma sinceridade melancólica a trilha sonora perfeita para o assunto do momento.

A conversa era sobre o que fazer quando as responsabilidades baterem a porta, quando teríamos que lidar com nossas idades avançando e o mundo evoluindo à nossa volta, nesse momento me viro para Almir, já “mucho loco” e pergunto que som era esse que insistia em tirar nossas atenções e ele respondeu, caindo pra trás e dando uma bela gargalhada “Esse som? Esse som é o som de dEUS meu amigo!!“

Volta para os dias de hoje, em frente ao computador garimpando músicas, pra variar, me deparo com um som em especial, me era peculiar, já havia ouvido antes. Era Hotellounge da banda belga dEUS. Ao aumentar o volume entrei em transe e fiz uma volta ao passado para exatamente aquele dia e me lembro de todos em silêncio ouvindo a música, em inglês, não sabendo do que se tratava já que ninguém era fluente em inglês e todos dando sua interpretação sobre a letra da música. Época da inocência, de não se saber o que fazer quando a ressaca acabar. Inevitabilidade de ter que aceitar os fatos que a vida lhe impõe, apontando o dedo na sua cara e dizendo: “acorde, aquilo ficou pra trás e agora esse é você e é isso que você tem que fazer!!!”

Aprofundando-me mais um pouco descobri que dEUS é uma banda belga que iniciou os trabalhos em 1991 e nunca teve seus trabalhos realmente reconhecidos por parte do grande público, lançando uma seqüência de grandes álbuns sem que o devido reconhecimento viesse, apesar do grande esforço que fazem e da qualidade de seus trabalhos. Podem se perguntar que diabos é isso, que “viagem” é essa, mas a redescoberta daquela foi uma coincidência, em momento oportuno em que estou mudando, me renovando mental, espiritual e fisicamente. Lutando a favor do futuro do qual sempre tive medo e esquecendo as frustrações do dia-a-dia e coisas que ficaram pra trás. O marco zero já foi demarcado e a hora é essa. Lendo mais um pouco descobri que o novo disco da banda citada foi super aclamada no seu lançamento e em nenhum momento eles desistiram de conseguir o sucesso e reconhecimento.

Hoje, vendo as fotos no Orkut dos meus amigos, vendo o saudável amadurecimento deles e as fotos com seus filhos me pergunto: O que seria de nós sem aqueles momentos? Seríamos as pessoas mais chatas do mundo? Rsrs

Chegou o momento de virar o tabuleiro e enfiar o dedo na carade quem te afronta e dizer: Sou mais eu!

A vida te dá muitas surpresas, mas você pode também dar uns bons sustos nela, não é mesmo?

Desculpem pela viagem emocional. Fiquem com Deus e ouçam dEUS. Rsrs!!!! Z!


continua...

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